
Foi num clima de grande comoção que a decisão relativa ao
Rui Óscar para Dramalhão do Ano surgiu no calendário de celebrações.
Ouviu-se um pigarrear colectivo do público.
Os pañuelos sairam dos bolsos.
Surgiram soluços abafados, como se a tragédia flutuasse no ar acima da plateia.
As faces da populaça surgiram pintadas de antecipação de cariz negativo, como quem presencia um acidente prestes a acontecer, ou o
Ronny a assumir a marcação de um livre directo.
O próprio lateral esquerdo quase-timorense não resistiu à tensão do momento e apertou com força a suave (mas firme) mão de
Nalitzis, que sorriu timidamente e sussurrou um visceral
"je t'aime".
Mas quando
Eládio Clímaco e
Luís Carlos mandaram o desamparado
Quim subir ao palco, os sorrisos abriram-se acabrunhados e a infame "
palminha lenta" começou a surgir. Tal qual uma película americana, o som a batata frita das palmas - símbolo de popularidade e aprovação - encheu a pouco e pouco o armazém outrora frio e tristonho.
Nalitzis ofereceu um anel de rubi a
Ronny, e
Quim deixou escorregar o
Rui Óscar das mãos três vezes antes de conseguir proferir a primeira palavra de agradecimento.
Foi com uma sensação de reconhecimento que a plateia abraçou o galardoar deste projecto, que documentou o terror e a angústia de um guarda-redes que sofre 13 golos em 13 dias.
"Thirteen Ghosts" demonstrou também grande criatividade da equipa que redigiu o argumento deste filme, pois um guião destes cabe claramente no domínio da mais mirabolante ficção científica. O trágico keeper
Joaquim Silva protagonizou o papel da sua carreira na pele do azarado diabo que resistiu heroicamente a todos os obstáculos que o assolaram durante 13 dias de pesadelo.

As coisas piaram mais fininho quando chegou a hora de entregar o
Rui Óscar para Melhor Filme de Terror. Com o
Incrível Hulk já fora do pavilhão a mastigar camiões TIR, o
Rocha do Duarte & Cia a vender papagaios de papel na praia e o
Joker entretido a pintar um auto-retrato (sim, auto) da
Mona Lisa, as atenções viraram-se para o único vilão presente: o sanguinário
Ávalos, de regresso aos certames lusitanos.
Porém, qual a surpresa quando quatro cidadãos seniores se levantaram (com ajuda alheia) e caminharam/foram empurrados muito lentamente em direcção ao palco...É verdade, qual dia de Natal, onde por tradição se come "roupa velha", na
Gala Cromos da Bola velhos foram os trapos, e estes mesmos trapos vencedores foram.
"The Mummy Returns" foi a película vencedora da categoria reservada aos
Ávalos deste Mundo, reveladora e assustadora na forma como retrata o renascimento de uma
Fénix muy portuense, apesar de vermelha. Como múmias temos os decrépitos
Falmeida,
Renato e
Cao, mas quem mais brilhou foi
Alves Nilo Vinha, no papel da múmia que vinha, mas não veio, arrebatando assim o
Rui Óscar para Melhor Actor Secundário. O ceifador cabo-verdiano
Cao também esteve em destaque, vencendo categoricamente o
Rui Óscar para Melhor Ser Humano em Decomposição.
Para celebrar o feito, o quarteto de amigos foi beber uma canja de galinha e jogar dominó para o jardim. Parece que o
Cao foi expulso. O outro vencedor da noite,
Quim, pediu para se juntar ao gang e fazer uma partidinha, mas os convivas não o deixaram jogar, dado que deixava cair as peças todas.